Os 5 principais modelos de governança corporativa e seus exemplos de aplicação

Diretora financeira refletindo sobre os diferentes tipos de governança corporativa

Para uma organização evitar danos à sua imagem e ao seu patrimônio é necessário contar com algumas ferramentas. Os diferentes modelos de governança corporativa são uma forma de evitar problemas e, quando aliado ao compliance, os dois minimizam riscos.

Segundo Pesquisa Anual de Diretores Corporativos de 2022 da PwC, mais de 70% das grandes empresas se preocupam com ESG, que envolve não só a governança corporativa, mas também questões sociais e ambientais.

No entanto, para aplicar de forma eficiente é preciso conhecer os diferentes modelos de governança existentes. Somente assim é possível entender qual melhor se encaixa à realidade de cada instituição.

Ao adotar o melhor modelo e respeitar os princípios da governança corporativa, a organização aumenta sua longevidade e se coloca em uma zona de segurança. Com isso, ela evita fraudes, seja no reembolso de viagens corporativas ou no desvio de recursos.

O que é governança corporativa?

É a gestão de forma eficiente e transparente dos recursos humanos e financeiros por meio de boas práticas. Com a governança corporativa é possível atrair pessoas interessadas na empresa e reter talentos, prezando sempre por relações éticas.

Dessa forma, o crescimento organizacional acompanha uma cultura sadia que permeia desde os sócios e conselho de administração até os colaboradores.

Quando bem aplicados, a governança corporativa e o compliance juntos diminuem as irregularidades e desvios. Mas, como cada forma de gerir apresenta suas vantagens e desvantagens, confira a seguir 5 modelos de governança corporativa:

  • modelo alemão;
  • modelo anglo saxão;
  • modelo japonês;
  • modelo latino-americano;
  • modelo latino-europeu.

Modelo alemão

Aqui há uma concentração de poder e os principais tomadores de decisão são os acionistas maiores e os bancos. Não há um limite para a participação de terceiros nas ações da empresa e o crédito bancário é uma das principais formas de financiamento.

Logo, quando uma organização precisa de dinheiro para algo, os bancos fazem empréstimos para suprir a necessidade. O problema é que as instituições se tornam acionistas delas, algumas vezes.

Quando não se tornam donas de parte dessas corporações, podem assumir o controle organizacional pela inadimplência. Mesmo assim, esta última situação não é comum.

Como nesse modelo a forma mais comum de controle é a soma do voto por participação acionária, o habitual é que as instituições financeiras assumam uma posição intermediária entre os desejos dos acionistas e as suas próprias.

De forma geral, as características desse modelo de governança são:

gestão compartilhada entre empresa e acionistas;

  • equilíbrio entre stakeholders como objetivo principal, e não a maximização de riqueza dos acionistas;
  • gestão aberta para diversos interesses;
  • papel limitado do mercado de ações para o crescimento;
  • forte presença dos bancos e instituições financeiras na empresa;
  • alta gestão composta por dois núcleos:
    • conselho supervisor: acionistas e seus representantes, além de funcionários;
    • conselho gestor: responsáveis pela operação diária e sua eficiência, eleitos pelo conselho supervisor.

Exemplo do modelo de governança alemão

A maior empresa alemã é a Volkswagen, um ótimo exemplo desse tipo de governança, tendo shareholders desde empresas até o Estado. Seus principais acionistas são a Porsche Automobil Holding SE, a cidade alemã de Hanover e a Qatar Holding.

Modelo anglo-saxão

Nesse modelo, não há controle concentrado na mão de poucos acionistas. O modelo de governança anglo-saxão é caracterizado pela distribuição da decisão, sendo difícil encontrar acionistas que tenham mais de 10% da empresa.

O reflexo desse sistema é o enfraquecimento dos proprietários, dando mais liberdade aos executivos da instituição. Como o poder de afetar a política organizacional individualmente é pequena, os diretores da organização têm mais força em suas tomadas de decisões.

Entretanto, a menor participação dos sócios nas decisões não significa sua exclusão. É preciso adotar medidas protetivas para eles, de forma que as fraudes e irregularidades sejam evitadas.

Seja na forma de processos financeiros e contábeis padronizados ou boas políticas, o corpo societário precisa ser contemplado em qualquer modelo de governança corporativa.

Uma forma de garantir uma rotina mais eficiente é automatizando alguns processos financeiros. Assim, os gestores têm tempo para se concentrar em tarefas realmente geradoras de receita.

Entretanto, fazer um estudo de quais são as atividades que podem ser automatizadas pode consumir um tempo hábil muitas vezes inexistente. Por isso, ao procurar soluções que melhoram resultados, gestores financeiros trabalham aos finais de semana ou feriados.
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Exemplo do modelo de governança anglo-saxão

A Netflix se tornou muito conhecida por ser uma plataforma de streaming e é um ótimo exemplo do modelo anglo-saxão. Bill Ackman, que com sua organização comprou US$ 1 bilhão em ações da empresa, entrou para a lista dos 20 maiores acionistas dela possuindo menos de 1% dela.

Mais de 70% das ações da rede de streaming são de grupos organizacionais, sendo as 5 maiores fatias das seguintes instituições:

  1. Vanguard Group, Inc. (The);
  2. Blackrock Inc;
  3. State Street Corporation;
  4. FMR, LLC;
  5. Capital Research Global Investors.

Modelo japonês

Próximo ao modelo alemão, o japonês também conta com a presença de bancos em seu corpo de acionistas. Como são essas instituições que fazem os empréstimos, elas têm grande presença na gestão do capital nas empresas.

O modelo de governança corporativa japonês preza pela gestão do conflito de interesses, atendendo às importâncias de todas as partes. Aqui, os bancos estipulam a estrutura do capital, monitoramento, plano financeiro e controle das organizações.

Mesmo assim, há o respeito às participações minoritárias, que se unem para se proteger e garantir sua longevidade. Como são diversas partes interessadas, a gestão é múltipla, formada por uma associação.

Nesse sentido, diferente do modelo alemão que reúne diferentes conselhos, o japonês tem uma única e grande cúpula que norteia as decisões. Entre suas características estão:

  • acionistas se comportam como gestores e têm poder de decisão;
  • bancos têm papel fundamental e decisivo de longo prazo;
  • gerentes executivos têm presença no conselho;
  • decisão tomada em conjunto por conglomerados de empresas, os keiretsus.

Exemplo do modelo de governança japonês

Um exemplo de conglomerado de organizações que compartilham ações entre si é a Mitsubishi. A montadora possui diversas empresas em seu grupo como: Mitsubishi Corporation, Mitsubishi Electric, Mitsubishi Fuso e Mitsubishi Bank.

Ainda assim, o keiretsu dela envolve outras organizações, sendo os 5 maiores acionistas as seguintes empresas:

  1. Nissan Motor Co., Ltd;
  2. Mitsubishi Corporation;
  3. The Master Trust Bank of Japan, Ltd;
  4. Mitsubishi Heavy Industries, Ltd;
  5. MUFG Bank, Ltd.

Para exemplificar as ações compartilhadas entre diferentes corporações, a Mitsubishi é também uma das principais shareholders da Nissan, com a aliança Renault-Nissan-Mitsubishi.

Modelo latino-americano

No modelo latino-americano, os interesses da alta cúpula, formada pelos acionistas majoritários, sobrepõem os interesses dos executivos e outros stakeholders. Como o mercado de capitais brasileiro não é muito grande, os acionistas maiores geralmente são grupos familiares ou consórcios.

Quando aplicado a uma realidade de menor escala, o modelo latino-americano se vê na decisão majoritária pelos sócios – maiores acionistas – sem considerar necessariamente a opinião dos gestores.

Dessa forma, percebe-se uma concentração do poder de decisão, prejudicando os sócios minoritários que, muitas vezes, não têm poder de decisão.

Exemplo do modelo de governança latino-americano

Diretores discutindo o modelo de governança corporativa latino-americano.

Como exemplo do modelo latino-americano no Brasil tem-se a Magazine Luiza e a JBS, ambas com famílias como maiores acionistas. A primeira tem a família Trajano, sendo a Luiza Trajano a maior acionista da empresa.

Já a JBS está sob o guarda-chuva da J&F Investimentos, pertencente à família Batista, que também é dona do PicPay, Canal Rural, entre outros.

Modelo latino-europeu

Assim como no latino-americano, o latino-europeu tem grupos familiares como principais atores e proteção pequena para os acionistas minoritários. O controle é concentrado e as decisões partem dos que têm mais ações para serem obedecidas pelos stakeholders.

Dessa forma, são defendidos os interesses desses grupos em detrimento dos outros, que não influenciam no rumo da empresa.

Exemplo do modelo de governança latino-europeu

Uma das montadoras mais icônicas do mundo, a Ferrari, tem duas famílias como seus principais acionistas. Mais de 30% das ações pertencem a duas famílias italianas: Ferrari e Agnelli, ambas do ramo de automóveis.

A primeira é representada por Piero Ferrari e a segunda pela Exor NV, uma holding controlada por uma empresa chamada Giovanni Agnelli B.V, fundadora também da Fiat. Juntas, elas têm mais de 50% do direito de voto no conselho diretivo da empresa

Como a Flash Expense pode ajudar a governança corporativa da sua empresa?

O assunto se torna cada vez mais uma preocupação. Somente em 2021, o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) registrou aumento de 14% em seus associados.

Cada vez mais as empresas percebem que a responsabilidade corporativa é necessária para minimizar prejuízos. Quando dirigidas, monitoradas e incentivadas corretamente, as organizações podem se manter seguras.

As boas práticas de governança vão desde uma gestão financeira justa até uma prestação de contas transparente e, para atingir isso, muitas vezes é preciso contar com algumas ferramentas.

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