O termo “governança financeira” e sua finalidade

Executivos discutindo governança financeira

Para o Banco Central do Brasil, a “governança financeira é um conjunto de políticas, regulamentações, práticas, mecanismos, instrumentos e instituições voltadas para a organização, administração, fiscalização e desenvolvimento dos sistemas financeiros”. Ela visa adotar princípios éticos e boas práticas nos processos financeiros das organizações.

Nas corporações, a governança financeira está atrelada ao bom uso e gestão dos valores monetários, de modo que as receitas e despesas das empresas estejam dentro do controle e de acordo com as políticas internas e externas.

É entendida como o método pelo qual uma empresa coleta, gerencia, monitora e controla suas informações financeiras. Inclui as políticas e procedimentos usados para rastrear suas transações financeiras, gerenciar o desempenho, monitorar estatísticas, compliance, operações e divulgação de dados.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), os agentes de governança devem prezar pela viabilidade econômica das empresas em termos financeiros, intelectuais, humano-sociais, ambientais e reputacionais,  objetivando a otimização e preservação do capital. 

Nesse sentido, a utilidade da governança financeira é garantir a precisão das informações corporativas, a emissão de relatórios e divulgações financeiras condizentes com a realidade, e a elaboração de orçamentos, planos e modelos através de procedimentos corretos.

Isso tudo enquanto protege o negócio de fatores e riscos que impactem negativamente seu desempenho, e mantêm os compromissos com a transparência, a equidade, a prestação de contas e a responsabilidade corporativa.

Benefícios da governança financeira

O Ministério dos Negócios, Inovação e Empregabilidade da Nova Zelândia destaca, em seu guia, determinados benefícios ao se aplicar uma boa governança financeira tais como:

  • Crescimento do negócio: projetar visões claras sobre o futuro e como chegar até lá, alavancar e trazer melhores resultados financeiros, proporcionar vantagem competitiva, abrir oportunidades e atrair investimentos.
  • Proteção contra ameaças: remover oportunidades de fraudes ou atividades irregulares, melhorar o entendimento sobre os riscos atuais e futuros, criar estratégias para reduzi-los e evitá-los.
  • Compliance e regularidades: atualizar a empresa quanto às mudanças regulatórias e responsabilidades legais e garantir que as políticas estejam sendo cumpridas desde o nível operacional até o alto escalão na organização.
  • Reputação e confiança: gerenciar e solucionar conflitos internos e externos, fortalecer a imagem da empresa como ética, comprometida, segura e transparente.

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), esforços para medir o impacto das melhorias da governança ganharam maior atenção a partir de 1990, através da premissa de que a adoção de boas práticas influenciavam positivamente o desempenho das empresas. Entre elas: 

  • Aperfeiçoamento de alto nível dos processos de decisão;
  • Custo de capital reduzido e maiores níveis de rentabilidade;
  • Melhor recuperação e estabilidade em tempos de fragilidade econômica;


Além disso, dados do mesmo relatório mencionam que, para empresas listadas em bolsa de valores, os benefícios mais notáveis foram os efeitos positivos no valor das ações, liquidez e composição da carteira de investimentos. 

Como melhorar a Governança Financeira

Denise Seiler, CFO do Accountfy, afirma que determinadas práticas além de impulsionar a adoção de uma boa governança financeira, também representam uma melhora na agilidade e qualidade dos processos financeiros e de suas entregas, tais como:

  • Usar um software de consolidação e gestão das informações financeiras;
  • Manter-se em dia quanto às atualizações das normas regulatórias;
  • Usar uma única base para dinamizar e armazenar todos os dados corporativos;
  • Automatizar o gerenciamento de dados, controles e processos financeiros;
  • Avaliar e tratar riscos frequentemente e trabalhar para preveni-los;
  • Realizar auditorias internas e externas.

Quais são os riscos de negligenciar a Governança Financeira?

Zahra Al Nasser, especialista em governança corporativa, afirma que uma das principais razões por trás do fracasso de muitas empresas é a má governança financeira. Zahra diz que, entre os riscos, a sua má aplicação pode expor as empresas a riscos como fraudes, desfalques e tomada de decisões fracas, que podem rapidamente diminuir a confiança dos stakeholders. 

Para Zahra, o uso de uma plataforma de gestão que unifique ou dinamize a divulgação de dados, controles e procedimentos financeiros automatizados, auditorias internas e externas e um único banco de dados podem ajudar a governança financeira das empresas.

O estudo da Healthcare Financial Management Association, do Reino Unido, em parceria com a PwC afirma que a governança financeira inadequada é um problema comum e elenca cinco situações que são frequentemente vistas quando negligenciada:

  • Os investimentos são mal alocados e há falta de reservas de recursos financeiros para os fundos de sustentabilidade e inovação, que resultam em planos que dificilmente serão executados, ou os orçamentos são irrealistas e imprecisos, tardios e não envolvem gestores-chave.
  • As divulgações financeiras são inadequadas e não falam sobre tendências futuras; as previsões são estáticas e não detalham variações. Ao mesmo tempo, não destacam os principais problemas e fornecem especificidades excessivas com pouco ou nenhum foco. Além disso, os diretores não estão a par das lacunas financeiras e gestores de outras áreas as colocam como parte de sua responsabilidade.
  • Os riscos internos e externos são identificados, mas pouco é feito com eles e o processo de tratamento, resolução e reporte é fraco ou não são relatados. Os relatórios contam com informações limitadas sobre indicadores de alerta.

Este conteúdo foi feito em parceria com a Accountfy.

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